Dados, Informação e Conhecimento

Posted by Shenron | Conceitos Chave | Wednesday 16 July 2008 4:22 pm

Embora os termos dados e informação sejam usados com frequência de uma forma indiferenciada, há no entanto uma diferença entre eles, pelo que para o entendimento dos sistemas de informação é importante compreender a diferença entre Dados, Informação e Conhecimento.

Os termos dados e informação são muitas vezes usados de modo diferenciado, dependendo do contexto em que estão inseridos. Assim, por exemplo, no campo científico, os psicólogos usam o termo processamento da informação humana, os economistas e os gestores usam o termo valor da informação e os cientistas dos computadores usam a teoria da informação. Neste três campos raramente é feita a distinção entre dado e informação.

A Informação é, na definição de Le Moigne (MOIGNE, 1978) um:

Objecto formatado, criado artificialmente pelo homem, tendo por finalidade representar um tipo de acontecimento identificável por ele no mundo real, integrando um conjunto de registos ou dados e um conjunto de relações entre eles, que determinam o seu formato.”

A Informação é, assim, um modelo de representação do real, conjugando registos em código convencionado de acontecimentos, objectos ou fluxos que constituem esse real perceptível, segundo um determinado padrão de associação e selecção.

Pode dizer-se que a informação é o resultado da adição aos dados, de um padrão específico de relações que estabelecem o seu formato. Actuar sobre a informação é não só actuar sobre os dados que a integram, mas também actuar sobre as relações que se estabelecem, ou seja, sobre os padrões colectivos ou individuais de formatação e através deles sobre a percepção do real e sobre a acção que dela decorre.

Para David Kroenke e Richard Hatch (KROENKE, 1994) a Informação é um velho conceito.

Muitas pessoas parecem entender o que significa a palavra informação e saber, quando usá-la ou não. Contudo, quando questionada, a mesma pessoa encontra muita dificuldade em definir a palavra informação. Por sua vez o cientista Gregory Bateson (1994) define informação como “a diferença que faz a diferença”.

Ray Grenier e George Metes (GRENIER, 1992) definem Conhecimento como: “a capacidade de uma pessoa relacionar estruturas complexas de informação para um novo contexto”. Novos contextos implicam mudança - acção, dinamismo. O conhecimento não pode ser partilhado, embora a técnica e os componentes da informação possam ser partilhados.

Assim podem definir-se estes termos do seguinte modo:

DADOS são factos e ou eventos, imagens ou sons que podem ser pertinentes ou úteis para o desempenho de uma tarefa, mas que por si só não conduzem à compreensão desse facto ou situação (ex.: o número 35 é um dado).

INFORMAÇÃO é um dado cuja forma e conteúdo são apropriados para uma utilização particular (ex.: 35 euros são o preço de um livro), ou seja, informação é um dado útil que permite tomar decisões e que está relacionado e ou associado a algo que nos faz sentido e nos ajuda a compreender o facto e ou o evento.

CONHECIMENTO é a combinação de instintos, ideias, regras e procedimentos que guiam as acções e as decisões.

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A Informação - Enquadramento

Posted by Shenron | Conceitos Chave | Thursday 3 July 2008 3:10 pm

Ao longo da história da humanidade, a informação e, consequentemente, o conhecimento têm sido factores decisivos em todos os confrontos e disputas em que o homem se envolveu.

Para o homem das cavernas, a sobrevivência implicou o conhecimento e domínio do fogo. Para o império Romano, o conhecimento tecnológico (como a construção de estradas, pontes e aquedutos), permitiu gerir a nível militar e económico durante vários séculos um enorme império. Na época dos descobrimentos, a informação de anteriores expedições foi fundamental para novos descobrimentos.

Esta procura pela informação levou o homem a desenvolver meios eficazes de obter informação, bem como métodos para tratar e extrair a informação importante.

Uma das causas do acelerado desenvolvimento dos computadores foi a necessidade de tratar grandes quantidades de informação, quando os EUA precisaram de fazer um supercomputador para tratar a quantidade massiva de informação que resultou do censo efectuado nos anos 30. Anos depois, um outro grande supercomputador foi criado pela Inglaterra, para conseguir interceptar informação codificada pelo exército alemão (na 2ª Guerra Mundial).

Hoje em dia vivemos numa época altamente consumista onde as pessoas querem ter ao seu dispor cada vez mais informação, pois percebem a sua importância. O rápido evoluir da tecnologia veio também acentuar esta tendência, pois torna-se cada vez mais fácil o acesso à informação desejada. Um claro exemplo disto é a própria Internet, onde está disponível todo o tipo de informação (mais ou menos fiável) que o cidadão comum possa querer.

Quem não pode ignorar esta poderosa força são as organizações, que lutam entre si (sejam estas comerciais, políticas, militares ou outras), pois dependem de todos os aspectos que lhes permitam ter vantagem sobre os seus opositores. Pode mesmo dizer-se que qualquer organização que queira sobreviver, não só não poderá ignorar informação importante de que disponha, como também terá que procurar meios de conseguir mais informação.

Este conceito não é propriamente novo, pois já Sun Tzu em 500 a.C. escrevia no seu livro acerca da “A Arte da Guerra”, que um dos passos mais importantes para ganhar uma guerra é dispor de informação (do inimigo, do terreno e de nós próprios) e fazer com que o inimigo não disponha de informação fiável.

Numa economia cada vez mais globalizada, os executivos necessitam tomar decisões rápidas e eficazes para garantir o crescimento das organizações num ambiente cada vez mais competitivo. Estas decisões são normalmente apoiadas em sistemas de suporte à decisão executiva, cujo objectivo é disponibilizar da maneira mais conveniente a informação necessária para a tomada de decisão.

Se muitas empresas dispõem já de sistemas de suporte à decisão executiva, outras estão ainda a implementar este tipo de solução ou a planear a sua execução. Este tipo de sistema não é somente estratégico para a empresa, mas também para a imagem do departamento de informática, já que acaba por influenciar, directamente, a sua posição perante a administração das empresas.

Por outro lado, a maioria dos executivos que utilizam sistemas de suporte à decisão, não esconde que as implementações não só demoraram como custaram mais do que o previsto e, muitas vezes, não foram suficientemente flexíveis para atender às novas necessidades que surgiram no quotidiano das organizações.

Por norma estes aspectos são consequência da maneira como estas aplicações foram desenvolvidas. Muitas delas foram produzidas internamente usando as chamadas ferramentas EIS (Executive Information System). Estes produtos são, basicamente, linguagens de programação que proporcionam resultados “cosméticos” mais agradáveis que as demais linguagens visuais. Todavia, não eliminam as necessidades do programador e de um ciclo de desenvolvimento relativamente demorado e caro.

Existem contudo outros sistemas que foram implementados com tecnologia OLAP (Online Analytical Processing) e ferramentas de visualização para o utilizador final (cubo multidimensional). Neste caso, as surpresas são outras: o OLAP não convive muito bem com mudanças estruturais, como por exemplo, a cisão ou a fusão de departamentos (tão comuns em épocas de reengenharia) e o cubo multidimensional não possibilita um aspecto visual muitas vezes indispensável para apresentações de negócios. O maior inconveniente da tecnologia OLAP é o facto de ser extremamente proprietária e não baseada no ambiente relacional que apoia o desenvolvimento corporativo da Base de Dados e do Datawarehouse. O modelo relacional pode não ser a última tecnologia, mas por ser um padrão, tem a sua continuidade praticamente garantida e isto é fundamental para uma aplicação estratégica como o suporte à decisão executiva, normalmente, apoiado num Datawarehouse com um horizonte de 60 ou mais meses.

Finalmente existe mais um problema ao qual são sujeitos a maioria dos sistemas desenvolvidos com tecnologia EIS ou OLAP: a restrição de acesso à informação. Inicialmente este problema não é detectado, já que apenas os altos executivos acedem ao sistema. Mas quando a aplicação ganha novos adeptos nos níveis inferiores surge a necessidade de fazer com que, por exemplo, o responsável de um departamento aceda apenas às informações da sua divisão e de tudo aquilo que lhe está subordinado. Implementar (e manter) este mecanismo por programa é uma tarefa praticamente inviável em função da infinidade de alternativas.

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ESTRATÉGIA - Velocidade e saber - Os dois factores críticos

Posted by Shenron | Enquadramento Tecnológico | Thursday 3 July 2008 2:27 pm

Em 1968, a administração da AT&T pediu a Alvin Toffler para falar de como as mudanças tecnológicas em curso poderiam afectar a empresa. Toffler demonstrou estar umas décadas à frente da sua época. «Mudança» era um termo demasiado brando para descrever o que ele via no horizonte. Falar de uma «irupção» ou «convulsão» seria bem mais apropriado.

O “futurólogo” argumentou que estava a emergir uma nova ordem económica, baseada na convergência das tecnologias da informação e das comunicações. Ele não «adivinhou» a informática em rede, nem o comércio electrónico, obviamente. A nova economia não surgiu de repente. Evoluiu ao longo de décadas. Apesar disso, quando atingiu o ponto de inflexão nos anos 90, a maioria das organizações foi apanhada desprevenida.

Só a muito custo algumas empresas começam a lidar com duas das mais profundas transformações previstas por Alvin Toffler. A primeira é a velocidade. Na nova economia, o comércio nunca pára, as novas tecnologias tornam-se obsoletas em meses, os produtos que levavam anos a desenvolver chegam ao mercado em meses ou dias. A segunda é o crescente poder do conhecimento. Apesar de vivermos na chamada «sociedade da informação», o verdadeiro activo não é a informação, mas sim o saber/conhecimento. Informação nós temos em abundância, conhecimento é que não. Gerir o conhecimento significa lidar com informação que foi editada e colocada no seu contexto de modo a fazer sentido e ter valor.

Poucas organizações conseguem combinar estas duas premissas - velocidade e conhecimento. Na era industrial, o processo produtivo era lento e baseado no «fazer bem e vender melhor». A aprendizagem organizacional vinha no fim da linha deste processo - só depois do produto estar no mercado, de os clientes o terem testado e enviado o seu feedback. Hoje, os processos lineares de funcionamento são demasiado demorados para esta economia da rapidez. As organizações têm de aprender, adaptar-se e responder ao mercado num ciclo rápido e contínuo, em vez de perderem anos em estudos de mercado ou em planos estratégicos muitas vezes desactualizados quando acabam de ser lançados. Uma organização para o século XXI agirá de outro modo - lançará o protótipo, testará o mercado e sentirá a sua reacção. Em suma, aprenderá em andamento. Neste novo ambiente, a empresa, em vez de se focalizar nas suas operações centrais voltada para dentro, deve focalizar-se para o mercado e para a indústria, para fora, percebendo qual é o «espaço em branco» em que há oportunidades por preencher.

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LOGÍSTICA - A tarefa nuclear da empresa do futuro

Posted by Shenron | Enquadramento Tecnológico | Thursday 3 July 2008 2:25 pm

Poucos se terão apercebido de que o Império Romano foi mais do que o triunfo da arte da guerra e do poder militar. Foi a consagração da logística. A base do império esteve na rede sofisticada de estradas, na gestão da informação sobre a localização e a mobilidade das tropas, no latim como língua universal, na classe literata de militares e burocratas, na moeda comum e no excelente serviço de correios.

Hoje, a logística, integrada com a informação e as comunicações, volta a estar no centro do sucesso empresarial. Os avanços tecnológicos permitem a integração de várias funções - desde a gestão da cadeia de abastecimentos até à distribuição e aos serviços pós-venda. Inclui ainda o apoio ao cliente, o transporte, a armazenagem, a gestão de stocks, o processamento de encomendas, os sistemas de informação, o planeamento da produção e as compras. A informação permite gerir melhor este conjunto de actividades e reduzir os custos.

Com a plataforma da Internet pode dar-se um salto ainda maior. Intermediários que não acrescentam valor e que têm elevados custos de armazenagem serão coisas do passado. As organizações estarão directamente envolvidas no design, embalagem e promoção. Os clientes poderão passar (em muitos casos já podem) a encomendar produtos e serviços online e a recebê-los directamente do produtor ou através de especialistas em logística, como é o caso, por exemplo, da Federal Express.

Com a passagem da integração vertical - típica do modelo industrial - para a virtual - em que os líderes da cadeia de valor se concentram no negócio central e adjudicam a fornecedores o restante -, a logística tornou-se a chave da empresa moderna.

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ENSINO - A universidade perdeu o monopólio do ensino

Posted by Shenron | Enquadramento Tecnológico | Thursday 3 July 2008 2:24 pm

Está a formar-se um novo mercado da educação e um novo paradigma para o ensino fruto da revolução da Internet. Estão em curso três alterações fundamentais. A primeira é perceptível na demografia. Há um envelhecimento da população estudantil e a frequência dos cursos a tempo parcial é cada vez mais popular. Ou seja, o estudante-tipo, dos 18 aos 22 anos, a tempo inteiro, já não é o actor principal. Por outro lado, a universidade - pública ou privada - deixou de ter o monopólio da produção e da transmissão dos conteúdos. Surgiram novos fornecedores e novas fontes de conhecimento. Os media, as editoras, os especialistas de conteúdos, as empresas fornecedoras de soluções tecnológicas, as instituições de formação e a consultoria são os novos rivais das universidades. As próprias multinacionais irromperam na arena ao criar os seus próprios campus e um novo mercado de estudantes.

Este cenário levanta a seguinte questão: deverá a universidade desenvolver sozinha os conteúdos que ministra ou deverá passar a agregar e organizar a distribuição de conteúdos produzidos por outros? Colocando a questão de outro modo: deverá a universidade ser apenas um entre outros actores num mercado cada vez mais competitivo? Deverá desvalorizar progressivamente o seu papel formal de “atribuidora” de licenciaturas ou afirmar-se como o coração de uma nova cadeia de valor do ensino?

Mas há ainda outra ameaça. A emergência da plataforma digital deu origem a novas ferramentas e canais de distribuição para o conhecimento. O CD-ROM e a Internet invadiram literalmente o espaço do ensino. Esta nova plataforma não liquida as formas tradicionais de ensino superior, mas expande-as radicalmente. Quem perder o comboio deste alargamento saltará fora do mercado.

Esta alteração do contexto produziu um novo paradigma. A universidade centrada sobre si própria deu lugar ao ensino centrado no estudante - seja ele qual for e onde estiver. Também a pedagogia do ensino se alterou radicalmente, hoje a necessidade central dos alunos já não é a de aprender conteúdos datados mas sim a de apostar na sua formação contínua.

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