O Mundo Global

Posted by Shenron | Enquadramento Tecnológico | Thursday 26 June 2008 8:30 pm

Chegámos à época das grandes mudanças e das grandes oportunidades. É nessas alterações profundas que são forjados os impérios e, hoje, novos impérios significam novos impérios empresariais.

Das 100 maiores economias do mundo mais de metade são empresas e não países. Na empresa multinacional típica mais de 90% dos accionistas são “sleeping partners”. Legitimados por esta abstenção dos accionistas, os gestores detêm o poder desses novos impérios que assentam na conquista de mercados, nas fusões e aquisições, nas redes e na nova tecnologia.

Por outro lado a nova tecnologia está a gerar uma nova elite. Os “Knowledge Workers” (trabalhadores do conhecimento) são uma franja de profissionais, altamente preparados e de mobilidade global, aptos a produzir uma cada vez maior quantidade de produtos, aumentando a sua qualidade e descendo os seus preços em simultâneo. Para atrair esta elite geradora de riqueza os países e as regiões competem entre si, os incentivos fiscais e as isenções de impostos são as armas mais utilizadas. Assim, para esta elite móvel, a tendência aponta para uma descida dos impostos e não para a sua subida.

Com acesso instantâneo à informação, as regiões, as cidades, as empresas e os novos empreendedores da sociedade digital estão a ligar-se directamente à economia global. O trabalho rotineiro está a ser automatizado ou exportado para o Sul. Novas classes sociais estão a emergir. Para além do topo, detentor do conhecimento e das empresas, existe uma enorme massa consumidora, de mobilidade reduzida e ansiosa perante o novo mundo. Existe ainda uma classe social de menor qualificação, excluída da pós-modernidade e que tende a concentrar-se nas cidades, fazendo subir a insegurança.

A localização global de tudo tornou-se a lógica competitiva do século XXI. Da produção ao marketing, passando pela tecnologia e pelo pagamento de impostos, tudo tende a localizar-se onde tenha mais sentido. Avaliando todo o planeta, a empresa global desloca os seus processos e funções assim que detecta subidas no rácio output/input. Com menos terra, pessoas, dinheiro, equipamento, matérias-primas, espaço, tempo, energia e stocks, as empresas líderes obtêm produtos cada vez melhores e mais baratos. O resultado desta mutação é uma maior eficiência da economia global, que se traduz na baixa generalizada de preços dos produtos e dos serviços, ou seja, o resultado desta tendência é, afinal, a sua força.

No mundo do trabalho a tendência é a queda do salário/hora e a ascensão da remuneração em função dos resultados. O emprego para toda a vida desapareceu e a vida profissional como sequência de vários full-time também tende a desaparecer. Os portfólios de trabalho e os contratos de prestação de serviços especializados são os modelos em desenvolvimento.

Este é o novo mundo. Um mundo fascinante e sofisticado. Um mundo bárbaro e selvagem. Neste mundo, a capacidade de eliminar a ambiguidade, de perspectivar os factos e dar um sentido ao futuro constitui a derradeira fonte da vantagem competitiva. Como disse Trotsky, «a história é a selecção natural de acidentes».

A Tecnologia e as Empresas

Posted by Shenron | Enquadramento Tecnológico | Thursday 26 June 2008 8:26 pm

Os modelos político-económicos do século XX, agora transpostos ao século XXI, foram construídos sobre o pressuposto de que a informação relevante é difícil, morosa e cara de obter, este é um quadro que já não é válido, mas a chamada «sociedade da informação» não está a tornar as coisas simples. A relevância dos dados e a sua captação dependem da nossa capacidade de dar sentido ao que acontece. Vivemos na era do excesso de informação, que está a exigir estratégias complexas para combater a ambiguidade.

As indústrias da informação estão a alterar radicalmente a forma como se cria riqueza. Em breve as redes planetárias de cabos de fibra óptica e de satélites desempenharão na criação de riqueza o mesmo papel que no passado coube às caravelas dos Descobrimentos, aos caminhos de ferro ou às auto-estradas. No sector dos serviços, que representa mais de metade do PIB nos países desenvolvidos, desenha-se uma fractura entre, por um lado, as telecomunicações, electrónica de consumo e media e, por outro, os serviços indiferenciados. Nos primeiros, dezenas de indústrias tradicionais estão em rápida mutação (da tipografia à TV, passando pelos telemóveis e pela Internet). Nos segundos, sofre-se de flagelos como salários congelados, processos de “downsizing” e falências.

Também o poder e a riqueza estão a ser transformados pela informação e pela nova tecnologia. Na Bolsa de Nova Iorque a Microsoft vale mais do que a General Motors e a Ford juntas. Na Bolsa de Lisboa, a Portugal Telecom vale mais do que a Cimpor e a Portucel juntas. As maiores oportunidades estão no que é hoje vulgar designar-se «sociedade da informação». A capacidade de conceber novos negócios, de entrar primeiro e com força caracteriza este novo tipo de competição.

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