Os avanços que se têm registado nos últimos tempos ao nível do tratamento das informações e das comunicações estão a abrir novas e interessantes possibilidades na transição da estrutura corporativa integrada da Economia Industrial, para a estrutura em rede da Economia Digital.
Uma multiplicidade de bens, serviços e processos estão a ser transformados através da integração e da utilização das tecnologias que se encontram ao dispor da Sociedade de Informação.
Neste cenário, um país que pretenda ser competitivo a nível mundial necessita dominar quer a oferta quer a utilização das Tecnologias de Informação, sob pena de ser ultrapassado nos processos de decisão que irão ter efeitos na evolução da sociedade do próximo milénio.
Só que o desenvolvimento das Tecnologias de Informação, ao apresentar uma dinâmica que lhe é muito própria, necessita de requisitos fundamentais como sejam a facilidade de utilização, a fiabilidade, a interoperabilidade e, acima de tudo, a acessibilidade de preços que se encontram muito aquém em Portugal, para não dizer na própria Europa, de modo a permitir que estas tecnologias se instalem amplamente em todas as áreas.
É assim necessário um empenho fortíssimo das organizações estatais e empresariais ao nível da investigação, desenvolvimento tecnológico, demonstração e aceitação das tecnologias, que permita a criação de infra-estruturas, software e serviços acessíveis e utilizáveis por qualquer pessoa, em qualquer hora e lugar, seja para fins empresariais ou particulares.
A existência destas condições, aliada ao espírito empreendedor que tem caracterizado a nova geração de quadros portugueses, muito mais informada e formada que a média da população em geral, irá contribuir para que a economia portuguesa assista ao aparecimento de novas empresas atrevidas face à Internet, Inovação e Internacionalização, que irão beneficiar do aumento da riqueza que a nova Economia Digital tem vindo a proporcionar.
No entanto estes jovens empreendedores com talento, boas ideias e bons produtos devem poder encontrar financiamentos adequados em Portugal, pelo que devem ser encorajados urgentemente, entre outros, pelo aparecimento dos “Business Angels” e uma forte indústria de Capital de Risco que facilite a entrada desta geração E-Business nos mercado globais do séc. XXI, uma vez que os financiamentos tradicionais oferecidos pelas entidades bancárias não se encontram adequados a apoiar os activos intangíveis que caracterizam a economia digital, como sejam, a força das ideias, a perspectiva de negócio e a capacidade empresarial.
É assim que o Capital de Risco (”Venture Capital”), ao adicionar aos projectos não só o capital financeiro, mas fundamentalmente o Capital Conhecimento - resultante do know-how do negócio, redes de contactos nacionais e internacionais, capacidade de conseguir aprender a obter vantagem económica da quantidade crescente de informações disponíveis - se apresenta como um instrumento de desenvolvimento fundamental de todas as “start-ups” de base tecnológica e consequentemente das Tecnologias de Informação e Comunicação. Se o conhecimento é a maior fonte de riqueza, os jovens empreendedores portugueses não devem deixar de aproveitar as vantagens que o Capital de Risco proporciona, pois permitir-lhes-á obter junto destas entidades activos que os ajudam a produzir e processar esse conhecimento.