ESTRATÉGIA - Velocidade e saber - Os dois factores críticos
Em 1968, a administração da AT&T pediu a Alvin Toffler para falar de como as mudanças tecnológicas em curso poderiam afectar a empresa. Toffler demonstrou estar umas décadas à frente da sua época. «Mudança» era um termo demasiado brando para descrever o que ele via no horizonte. Falar de uma «irupção» ou «convulsão» seria bem mais apropriado.
O “futurólogo” argumentou que estava a emergir uma nova ordem económica, baseada na convergência das tecnologias da informação e das comunicações. Ele não «adivinhou» a informática em rede, nem o comércio electrónico, obviamente. A nova economia não surgiu de repente. Evoluiu ao longo de décadas. Apesar disso, quando atingiu o ponto de inflexão nos anos 90, a maioria das organizações foi apanhada desprevenida.
Só a muito custo algumas empresas começam a lidar com duas das mais profundas transformações previstas por Alvin Toffler. A primeira é a velocidade. Na nova economia, o comércio nunca pára, as novas tecnologias tornam-se obsoletas em meses, os produtos que levavam anos a desenvolver chegam ao mercado em meses ou dias. A segunda é o crescente poder do conhecimento. Apesar de vivermos na chamada «sociedade da informação», o verdadeiro activo não é a informação, mas sim o saber/conhecimento. Informação nós temos em abundância, conhecimento é que não. Gerir o conhecimento significa lidar com informação que foi editada e colocada no seu contexto de modo a fazer sentido e ter valor.
Poucas organizações conseguem combinar estas duas premissas - velocidade e conhecimento. Na era industrial, o processo produtivo era lento e baseado no «fazer bem e vender melhor». A aprendizagem organizacional vinha no fim da linha deste processo - só depois do produto estar no mercado, de os clientes o terem testado e enviado o seu feedback. Hoje, os processos lineares de funcionamento são demasiado demorados para esta economia da rapidez. As organizações têm de aprender, adaptar-se e responder ao mercado num ciclo rápido e contínuo, em vez de perderem anos em estudos de mercado ou em planos estratégicos muitas vezes desactualizados quando acabam de ser lançados. Uma organização para o século XXI agirá de outro modo - lançará o protótipo, testará o mercado e sentirá a sua reacção. Em suma, aprenderá em andamento. Neste novo ambiente, a empresa, em vez de se focalizar nas suas operações centrais voltada para dentro, deve focalizar-se para o mercado e para a indústria, para fora, percebendo qual é o «espaço em branco» em que há oportunidades por preencher.