A Tecnologia e as Empresas
Os modelos político-económicos do século XX, agora transpostos ao século XXI, foram construídos sobre o pressuposto de que a informação relevante é difícil, morosa e cara de obter, este é um quadro que já não é válido, mas a chamada «sociedade da informação» não está a tornar as coisas simples. A relevância dos dados e a sua captação dependem da nossa capacidade de dar sentido ao que acontece. Vivemos na era do excesso de informação, que está a exigir estratégias complexas para combater a ambiguidade.
As indústrias da informação estão a alterar radicalmente a forma como se cria riqueza. Em breve as redes planetárias de cabos de fibra óptica e de satélites desempenharão na criação de riqueza o mesmo papel que no passado coube às caravelas dos Descobrimentos, aos caminhos de ferro ou às auto-estradas. No sector dos serviços, que representa mais de metade do PIB nos países desenvolvidos, desenha-se uma fractura entre, por um lado, as telecomunicações, electrónica de consumo e media e, por outro, os serviços indiferenciados. Nos primeiros, dezenas de indústrias tradicionais estão em rápida mutação (da tipografia à TV, passando pelos telemóveis e pela Internet). Nos segundos, sofre-se de flagelos como salários congelados, processos de “downsizing” e falências.
Também o poder e a riqueza estão a ser transformados pela informação e pela nova tecnologia. Na Bolsa de Nova Iorque a Microsoft vale mais do que a General Motors e a Ford juntas. Na Bolsa de Lisboa, a Portugal Telecom vale mais do que a Cimpor e a Portucel juntas. As maiores oportunidades estão no que é hoje vulgar designar-se «sociedade da informação». A capacidade de conceber novos negócios, de entrar primeiro e com força caracteriza este novo tipo de competição.