Retornos Decrescentes
O mundo físico é caracterizado por retornos decrescentes, que são resultado da escassez dos objectos físicos. Uma das diferenças mais importantes entre os objectos e as ideias é que estas não são escassas e o seu processo de descoberta não sofre de retornos decrescentes.
Bem, tomemos um determinado pedaço de conhecimento, por exemplo uma peça de software e pensemos nos custos de produção que um fornecedor enfrenta. Se fizermos isso vemos que este pedaço de conhecimento é muito pouco usual numa perspectiva de economia tradicional.
Para fazer a primeira cópia do Windows 2003, por exemplo, a Microsoft investiu milhões de dólares em investigação, desenvolvimento, testes, etc. Mas logo que a Microsoft conseguiu acertar no código fonte subjacente pôde produzir a segunda cópia do Windows 2003 por cerca de meio Euro - o custo de copiar o programa codificado neste “molho de bits” para um CD ou DVD. A partir daí, todas as cópias subsequentes do programa têm o mesmo custo ou até custos inferiores. Por exemplo, se o Windows 2003 fosse distribuído através da Internet, o custo de todas as cópias adicionais seria basicamente nulo. Por isso, a primeira cópia custa-lhe milhões de dólares, mas todas as outras cópias são “gratuitas”, independentemente da quantidade que produzir. Isto é muito diferente da economia física, em que uma parte importante do custo de cada um dos bens advém do processo de efectuar uma cópia adicional desse bem.
Tradicionalmente, em economia, partiríamos do princípio de que existem um ou dois líderes numa área cujo sucesso atrai muitas outras empresas e que o segmento da indústria, enquanto um todo, cresceria e beneficiaria com o aumento da concorrência.
Mas poderá perguntar-se: e se uma empresa açambarcar todas as reservas de minério e se tornar monopolista do cobre a nível mundial? A empresa que fizesse isso produziria até um ponto em que se tornaria cada vez mais caro. Outras empresas seriam atraídas para o mercado e poderiam produzir e vender o seu produto mais barato. Quando as empresas enfrentam custos crescentes e retornos decrescentes, nenhuma delas consegue, de forma isolada, fornecer o vasto mercado mundial. Se o tentar fazer, terá de enfrentar desvantagens de custo cada vez maiores relativamente aos seus competidores.
Pensemos nos sistemas operativos e no mundo dos computadores por um momento. Imaginemos que temos uma empresa, como a Microsoft, que vai produzir o Windows 2003. Uma vez que produza a sua primeira cópia não enfrenta qualquer desvantagem de custo. Pode produzir milhões de cópias do Windows mediante um pequeno custo adicional. Pode, na verdade, fornecer todo o mercado mundial com sistemas operativos. Provavelmente será mesmo mais fácil para a Microsoft, porque, quanto maior for a dimensão do seu mercado mais atraente se torna a adopção do seu software.
Esta diferença entre indústrias de retornos decrescentes e indústrias de retornos crescentes muda completamente a dinâmica da concorrência. Sob condições de retornos crescentes a concorrência é conduzida por várias empresas que tentam capturar a maior quota de mercado o mais rapidamente possível e ser as primeiras a desenvolver um produto e a inundar o mercado com ele, mesmo que inicialmente tenham perdas.